Texto Áureo: Mateus. 6.6
Leitura
Bíblica: Marcos. 1.35-45
INTRODUÇÃO
Existem pessoas que se tornam evangélicas por
vários motivos: financeiros, políticos, entre outros. Os discípulos perguntaram
a Jesus o que eles receberiam por terem deixado tudo para segui-LO (Mt. 19.27).
Paulo atestou que muitos seguem a Cristo por razões diversas (Fp. 1.17,18). Na
lição de hoje estudaremos a esse respeito, mostraremos que nem todas as
motivações do crente, em relação ao seguir a Cristo, são verdadeiras.
1. MOTIVAÇÕES E MOTIVAÇÕES
A palavra motivação, no dicionário, é definida como
uma força interna que faz com que as pessoas tomem determinadas decisões e
atitudes. As motivações são as mais diversas, e elas, na maioria das vezes,
variam de pessoa para pessoa. Existem motivações individuais e coletivas, que
persistem e outras que se modificam ao longo do percurso. A motivação sempre
tem a ver com objetivos, isto é, com o interesse aonde determinada pessoa ou
grupo pretende chegar. Algumas motivações são inatas, como a de conseguir
alimento para satisfazer a fome. Mas a maioria delas é adquirida, depende da
cultura, e do que as pessoas privilegiam como necessidade. Alguns estudiosos
distinguem quatro tipos básicos de necessidades: psicológicas (comer e se
vestir), segurança (ordem, estabilidade, rotina), social (amor, afeição,
pertencimento), estima (prestígio, independência, status) e autorrealização
(emprego e sucesso). Essas motivações são categorizadas a partir de uma
perspectiva sociológica, que leva em consideração a relação necessidade e
consumo. Mas na perspectiva cristã, existem outras motivações, dentre elas: fé,
esperança e amor (I Co. 13. 13; I Ts. 1.3). Os profissionais que atuam na área
de marketing são especialistas em identificar as motivações das pessoas. Outra
especialidade da propaganda é a de construir necessidades. O consumismo – que
não pode ser confundido com consumo - se alimenta da criação de necessidades e
motivações. O cristianismo pode, em alguns contextos, ser comparado a uma
mercadoria. Há pessoas que o compram de acordo com suas conveniências, a esse
respeito Paulo chamou a atenção do jovem pastor Timóteo e da igreja que este
liderava (II Tm. 4.1-4).
2. AS FALSAS MOTIVAÇÕES DO CRENTE
O crescimento do movimento evangélico no Brasil tem
favorecido a existência de uma geração de crentes cujas motivações nada têm de
bíblicas. Algumas dessas pessoas estão aderindo às igrejas pelos motivos mais
diversos e descabidos. A adoção de um modelo evangélico mercantilista, pautado
na prosperidade financeira, está atraindo pessoas para as igrejas com
interesses meramente monetários. Não são poucas as pessoas que se achegam às
igrejas perguntando: o que eu vou ganhar com isso? Os discursos propagados por
algumas igrejas televisivas mostram essa realidade. Os adeptos dessa teologia
deturpada testemunham da fortuna que fizeram ao adquirir o “produto” de
determinada igreja. Há “artistas”, que na verdade nada entendem de arte, que
vem para a igreja depois do fracasso na mídia. Como não conseguem mais se
projetar na mídia, inventam que são crentes para venderem seus cds gospel entre
os evangélicos. As músicas por eles compostas são de péssima qualidade, não
passam de vãs repetições, não têm qualquer respaldo bíblico. O culto às
celebridades instantâneas e temporárias, decorrentes dos realities shows,
também alcançou as igrejas evangélicas. Houve um tempo em que as pessoas eram
respeitadas pelo conhecimento bíblico que tinham, e pela vida que
testemunhavam. A exposição da Bíblia está sendo substituída, em alguns
púlpitos, pelos tristemunhos desses “artistas”. Em entrevista a um canal de televisão,
uma modelo (não sei para quem) afirmou que frequentava a igreja porque saia
daquele lugar com “alto astral”. As motivações dessas pessoas, ao aderiram a
essas igrejas, são meramente utilitaristas. Os “pastores” estão alimentando
esse ciclo na medida em que propagam um evangelho que não e o de Jesus Cristo
(Gl. 1.9).
3. AS VERDADEIRAS MOTIVAÇÕES DO
CRENTE
As motivações verdadeiras do crente são respaldadas
pela Palavra de Deus, isso porque é Deus, e não o homem, que diz o que
realmente necessitamos. A primeira necessidade do ser humano é a de um
Salvador. O salário do pecado é a morte, a condenação eterna (Rm. 6.23), e como
todos pecaram (Rm. 3.23), a salvação torna-se uma necessidade prioritária. Deus
enviou Seu Filho Jesus Cristo para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas
tenha a vida eterna (Jo. 3.16). Essa é uma mensagem simples, mas que está sendo
esquecida em muitas igrejas evangélicas. O novo nascimento e a santificação
tornaram-se doutrinas impopulares, por isso, não são mais ensinadas, é mais
vantajoso – principalmente do ponto de vista financeiro - instigar à
prosperidade. Mas isso tudo é vaidade, é aflição de espírito, ou como verte uma
tradução de Ec. 2.17, é “correr atrás do vento”. A principal motivação do
crente deve ser dar glória a Deus, viver para Ele, pois para isso fomos criados
(Is. 47.12; I Co. 10.31; Ef. 1.12). A teologia predominante no contexto
evangélico brasileiro é antropocêntrica, isto é, coloca o ser humano no centro,
ao invés de Deus. O crente não foi chamado para a fama, mas para a simplicidade
(Mt. 10.16), a ostentação não é cristã, no evangelho de Cristo não há lugar
para soberba (Jo. 13.34,35). O próprio Cristo veio para servir, não para ser
servido (Mc. 10.42-45), quem quiser ser o primeiro no Reino de Deus que seja o
último (Mt. 20.27). O Reino de Deus está acontecendo, neste exato momento,
longe dos holofotes da mídia. Pastores e crentes estão labutando para Deus no
anonimato. O discurso do sucesso tem atingido muitos crentes, resultando em uma
geração de decepcionados, em virtude das irrealizações. O próprio pastorado,
excelente quando levado a sério, não ficou para todos (I Tm. 3.1-7), e alguns
crentes, por não conseguirem chegar a essa posição eclesiástica, também se
frustram.
CONCLUSÃO
A verdadeira motivação do crente deve ser sempre a
de estar com Cristo, a de permanecer nEle, independentemente das
circunstâncias, para dar frutos (Jo. 15.1-8). E justamente crescer em
santidade, desenvolvendo o fruto do Espírito, deveria ser a meta de todo
cristão genuíno (Gl. 5.22). Cristo não prometeu riqueza, fama e poder no
presente século. Por isso, a motivação verdadeira do crente deve ser a de
continuar no centro da vontade de Deus (Rm. 12.1,2).
ELABORADO POR: Profº. José Roberto A. Barbosa
BIBLIOGRAFIA
CABRAL, E. A síndrome do canto
do galo. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.
GONCALVES, J. A prosperidade à
luz da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
FONTE: www.subsidioebd.blogspot.com
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